11 de Setembro de 2007

Review 6: Sigur Rós - ()


O som que me traz paz em momentos de angústia. Assim defino o Sigur Rós, banda islandesa formada em 1994, por 4 garotos a fim de fazer música profunda, diferente, com sentimento. Traduzindo: música celestial.


“()”, seu 3º álbum, é o mais introspectivo, o mais minimalista e o mais fantástico de sua discografia. Fugindo de todos os padrões da indústria fonográfica (apesar de serem artistas contratados da EMI), o encarte do CD é todo em branco e as letras não têm título. Como assim? Assim mesmo, não têm! Você precisa entrar no site oficial (http://www.sigur-ros.co.uk) para ter acesso ao nome das músicas.


Mas aí você ainda me pergunta: “Como gostar de uma banda que canta numa espécie de dialeto que ninguém entende?” E eu respondo simplesmente propondo a você ouvir "()", livre de todos os preconceitos.


Todas as canções são absolutamente fantásticas. O clima atmosférico, os instrumentos combinando numa harmonia incrível, um minimalismo sem igual. O CD começa com Untitled #1 (Vaka), com o piano de cauda em ápice e um clima de melancolia que transborda paz, além dos "cânticos" em "Hopelandic", linguagem criada pelo vocalista e guitarrista Jón þór Birgisson para o encaixe nas melodias. Algo simplesmente genial.


Depois seguimos pela bela (e com uma intro que lembra o zunir de uma mosca) em Untitled #2 (Fyrsta) e por uma das mais fantásticas músicas instrumentais que já ouvi na minha vida (e olha que já ouvi muita música instrumental): Untitled #3 (Samskeyti) é fenomenal: melancolia, beleza e virtuose numa combinação de sentimentos que eu me recuso a tentar explicar. É ouvir e se deliciar.


Sem deixar cair a peteca temos Untitled #4 (Njósnavélin), com um trabalho belíssimo de guitarra e percussão, com Jón “grunhindo” de maneira sublime e o teclado simplesmente angelical, celestial, fantástico.


A segunda parte do álbum é ainda mais introspectiva. Untitled #5 (Álafoss) é absolutamente minimalista, com seus quase 10 minutos seguindo numa seqüência de movimentos sombrios e extremamente abstratos. E assim segue nas não menos soturnas Untitled #6 (E-bow), que é inquietante, cresce no decorrer da canção e termina num clima reconfortante e Untitled #7 (Dauðalagið) onde Jón canta de forma tão sombria que sua voz soa rouca, abatida, rasteja-se em um clima de solidão e tristeza. Aqui parece que a voz dele não vai se levantar, quando de repente existe um solo vocal. Isso mesmo, solo vocal! Algo tão lindo que é pra este que vos escreve mais um ponto alto do CD.


Já Untitled #8 (Popplagið) é mais leve, mais suave. O baixo se assume como instrumento principal. Se fosse classificar, essa seria a canção mais fácil de ser rotulada no tal do “post-rock”. Porém não se enganem, pois o final dessa canção é algo simplesmente gigantesco, grandioso, colossal. Nuanças entre sons pesadíssimos e sussurros com quedas bruscas no ritmo, trazendo novamente o momento de paz que todos esperam no final de um disco.


Algo simplesmente mágico, magnífico, fantástico. “()” é um disco tão espetacular que se você tiver um pingo de sensibilidade, vai ouvir e comprar não só ele, mas como toda a discografia desses jovens gênios islandeses. Clássico da década!


Nota: 10


Abaixo, 3 amostras grátis de algo realmente espetacular. Divirtam-se:


Untitled #1: http://www.mediafire.com/?ckijjnlxwyx

Untitled #3: http://www.mediafire.com/?1yyxgzrmvmg

Untitled #8: http://www.mediafire.com/?acytablmmrz


Site da banda: http://www.sigur-ros.co.uk/

5 Comentários:

Victor disse...

a melhor resenha que eu li deste que nos escreve!
demonstração clara do que o álbum representa, me deu vontade de ouvir!
muito bom cara... ótima resenha
abraço

Rodriguim o irmão mauvado do rodrigo disse...

Sem duvida você lê e imagina o som em sua cabeça e o mais louco que vc nunca ouviu uma nota sequer ......
Parabéns por instigar a vontade de seus amigos......

Priscila Beolwulf disse...

Otima Resenha.
Sigur Rós faz soerguer flores dos meus poros... Celestial!

marcolaf disse...

bonitas palavras!
o álbum todo tem um clima etéreo, onírico... mágico!
"O som que me traz paz em momentos de angústia". eu concordo. contudo, esses rapazes transformam a angústia em algo impressionante, forte, opressor... eu realmente PIRO ouvindo ().

Aveia disse...

demais mesmo,

a procura de uma resenha dos carinhas, caí aqui...

realmente deu vontade de conhecer mais dos malandros..

ótimo ponto de vista meu caro!
grande abraço!

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